Um novo caminho...
O teste!
Não ter hora, nem lugar pra repetir, repetir e repetir.

Os 3 Pilares - Segundo o Karatê Tridimensional

Saudações Nação Karateca!
O que é Karatê Tridimensional? Quem elaborou esse conceito? Quais as diretrizes que envolve o conceito de karatê tridimensional? Porque o blog associou esse conceito com os 3 pilares do Karatê-Do?

Bora lá...Vamos responder essas questões.

Antes de falar do karatê tridimensional, vamos entender alguns conceitos que ainda não foram associados aos 3 pilares do karatê, para que faça mais sentido as explicações adiante. Esses conceitos no BUDO são citados como os 5 estados mentais, porém vou por minha visão sobre todos os conceitos, sendo que 4 deles, acredito serem mais próximos do que os karatecas possam chegar, e no conceito tridimensional, utilizaremos apenas 3. 
  • Shoshin; Mente de principiante. Nesse estado, o estudante (praticante, karateca, shodan, sensei) mantém a sua mente aberta e atenta para o aprendizado e busca constantemente absorver mais detalhes, técnicas, além do que já aprendeu, ou acredita dominar. Deixa-se o ego, o "eu já conheço", "eu já sei", e adere ao "vou praticar mais", "vou estudar mais", "vou me aperfeiçoar".
  • Mushin; Não Mente. Referem-se a esse estado como a "mente como água". Totalmente limpa refletindo apenas o que a envolve em determinado momento. Em outros termos, seria um estado ao qual se assume o foco total em determinada tarefa que está sendo executada, não se perdendo em distrações a sua volta, esse é o conceito de refletir o que a envolve em determinado momento. Seria a ausência da atividade mental diante de um único motivo. Uma referência bem prática, seria a famosa frase citada por Bruce Lee: " Esvazie sua mente seja amorfo sem forma como a água, se você coloca água em um copo,ela se torna um copo, se você a coloca em uma garrafa ela se torna uma garrafa, se você a coloca em uma chaleira, ela se torna uma chaleira..."  Bruce Lee, cita nessa frase o conceito de se transformar e se adaptar a situação em questão. Porém o conceito de ser água também, é poder refletir somente aquilo que necessita de total foco. Ser espelho, sem intervenção da razão.
  • Fudoshin; Mente Imóvel. Nesse estado, o conceito de mente e espírito inabalável, refere-se a capacidade de corpo e mente, não se abalar com pensamentos (internos) ou situações externas. É a mente, se manter capaz de reagir de forma tranquila e equilibrada, frente a uma situação de stress alto.
  • Zanshin; Mente que permanece. Esse estado trata do que chamamos de "atenção marcial". Ou seja, um estado de total atenção para todos os possíveis riscos, sejam estes antes da aplicação de uma técnica, no momento, ou depois de aplicado.
  • Senshin; Espírito Purificado, atitude iluminada. Esse se trata de um estado raro de ser alcançado. Um conceito ligado a uma mente que concilia a discórdia, muito ligado a mente de Buda. Um estado que transcende os demais estados.
Bom, desses estados no Karatê, utilizamos Shoshin, Mushin, Fudoshin e Zanshin. No conceito tridimensional usaremos Mushin, Zanshin e Fudoshin.
Enfim, chegamos ao Karatê Tridimensional propriamente dito! Então vamos as perguntas. 

Quem elaborou esse conceito? No Brasil a referência para esse conceito surge com o Sensei Shotokan Juichi Sagara. Atualmente a sigla A.S.K.T, significa Associação Shotokan de Karatê Tridimensional.

Quais as diretrizes que envolve o karatê Tridimensional? Sensei Sagara uniu os conceitos dos estados de mente na filosofia Budoca, com os 3 pilares do Karatê, Kata, Kihon e Kumitê.

 O que é Karatê Tridimensional? Porque o blog associou esse conceito com os 3 pilares do Karatê-Do? Essas duas perguntas serão contidas em uma única resposta. Acima já introduzi a resposta desse porquê. Vamos melhorar a explanação...!
O conceito de Karatê Tridimensional estruturado por sensei Sagara, cita o equilíbrio entre três elementos: sol, lua e terra, e que se referem a espírito, mente e físico.

Abaixo segue o conceito exposto pela própria A.S.K.T. :

“Espiritual”
O Karate Tridimensional através do seu treinamento, busca a elevação no nível espiritual do indivíduo, porque estamos vivendo no mundo de “ondas” (freqüência de comunicação).
Através da elevação espiritual busca-se a captação de ondas positivas ou “ondas mais puras”. O treinamento do Karate Tridimensional físico busca alcançar este estado espiritual mais elevado.
“Mental”
No Karate Tridimensional através do treinamento físico busca-se captar a energia da mente que é utilizada para “produzir”, “construir” ao contrário do Karate violento que busca a destruição.
Com o treinamento, o Karate Tridimensional busca na sua parte mental a tranqüilidade e o auto-controle no seu dia a dia.
“Física”
No Karate Tridimensional, o treinamento físico busca o equilíbrio do “quadril”, perna e braço e na parte do movimento busca-se o aperfeiçoamento da técnica de saída, passagem e finalização (Kimê).
Na parte de combate deve sempre existir um motivo (Shiai – Shi – Experimentar, Ai – Unificação), não podemos chamar de adversário ou inimigo e sim de parceiro. Com isto tem-se como objetivo a elevação da parte técnica geral do indivíduo (Resistência, Força, Agilidade, etc.). 

Sensei Sagara alia os 3 pilares do karatê em seu conceito bem como os estados de espírito do Budo da seguinte forma:

Segundo sensei Hélio Arakaki em seu livro "Sensei - Uma jornada espiritual", sensei Sagara, não deixou nada registrado, deixando alguns pontos de dúvidas no conceito. Ele mesmo cita um ajuste em seu ponto de vista, relacionada a organização acima. Porém estou colocando a minha visão em relação ao exposto, e deixo aos interessados a leitura do livro, para entender melhor esses ajustes.

No Kihon, atrela-se um estado de espírito junto ao Mushin(Não mente). A execução sistemática e persistente das diversas técnicas, se fundem ao físico de modo que a mente não é necessária para a execução. Seria o alcance de uma memória corporal que reflete instantaneamente uma técnica de acordo com uma ação.
O Kata, é aliado a mente e ao estado Fudoshin (Mente imóvel, inabalável). Em meu ponto de vista, a assimilação do kata e suas técnicas de forma natural (por meio do kihon), torna a mente do praticante, tranquila, corajosa e confiante, para em caso de uma reação engatilhada pelo estado de Zanshin, ser facilmente contornada e refletida pelo estado de Mushin.
No Kumitê, aliado ao físico e ao estado de Zanshin, penso que na práticas das técnicas livres, desenvolve-se a "atenção marcial" por todo o físico, ativando o Fudoshin para resposta efetiva e o Mushin para contornar a situação e finalizá-la eficazmente.

Não sei se fez sentido, não vi nenhuma explicação de Sagara sensei, nem de nenhum de seus alunos. Essa analogia acima, eu mesmo fiz seguindo uma lógica que pra mim faz todo o sentido, além de bater com os conceitos dos estados mentais no Budo, e entre os estados e os pilares do karatê, se interligam de forma continua. Acredito que essa é a ideia principal.

Bom, enfim, é isso! Se gostaram do texto, se inscrevam no blog, deixem seus comentários, ou contatos.

Até a próxima! Osu.

             Jesse Enkamp - Blog
             ISKF - ASKT (Brasil ) 
         


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Os 3 Pilares - KUMITÊ

“Kata e Kumitê são como as duas rodas de uma carroça.” Essa frase foi retirada de um dos livros de Nakayama da série “O melhor do Karatê”, onde podemos entender que essas duas peças fazem parte de toda uma obra de arte, a qual conhecemos como a prática do karatê-dô. E se interpretar pelo contexto do autor colocado acima, as “rodas” são as partes responsáveis por manter a “carroça” em movimento, ou seja, dentro do seu principal objetivo de “carroça”.

Ainda segundo o livro de Nakayama, temos o contexto histórico ao qual foi introduzido o kumitê no desenvolvimento do karatê, cita-se:
“Antigamente, em Okinawa, o karatê baseava-se quase que exclusivamente no kata…”
“O kumitê básico, que passou a ser praticado no final da década de 20, foi estudado e aprimorado, e o Jiyû Kimitê (combate livre) foi desenvolvido. “

Explanando de forma mais simples, o Kumitê, é área de desenvolvimento do Karatê que foca no desenvolvimento do combate frente a frente, de modo a aprimorar as técnicas de ataque, defesa, arremessos, projeções, bases e esquivas, ensinadas de forma básica, bem como as técnicas e sequências contidas nos kata, de forma mais complexa.

Dando ênfase na aplicabilidade nos katas, se trata de uma forma de trazer o combate imaginário para a prática real.

O Kumitê, foi desenvolvido em partes sequenciais que proporcionam um aprendizado gradual ao praticante de acordo com seu nível de desenvolvimento técnico, e amadurecimento de conceitos e práticas proporcionadas ao longo da sua formação, contribuindo para o descobrimento dos que muito citam, “técnicas ocultas”, contidas nas sequências dos kata. Mais a frente dessas publicações, esclareço melhor, o que são as tais “técnicas ocultas”, dos kata.

Essas partes sequenciais são classificadas em dois métodos de treinamento: Kihon Kumitê e Jiyû Kumitê. Vamos falar um pouco mais sobre esses métodos!

Yakusoku Kumitê / Kihon Kumitê ( método de combate combinado - básico).

Neste formato de treinamento, as técnicas e bases, tanto de ataque como de defesa, são predeterminados de modo que num primeiro momento os praticantes comecem a entender as práticas repetitivas do Kihon e do Kata. Apesar de essa prática ser denominada como básica, ela pode apresentar níveis de dificuldades diferentes conforme a evolução do praticante. Inicialmente o mesmo busca a prática, coordenação e entendimento das técnicas essenciais de forma menos controlada e mais lenta; e em modos mais avançados, o praticante, treina a força, velocidade e o controle da técnica antes de explodir no alvo. 
Trocando em miúdos, seria como se você fosse um membro de um esquadrão anti-bombas, cortando o fio certo no último segundo! Quase ao ponto de explodir. Portanto, não se iluda, achando que por ser um método “básico”, é facilmente dominado! Negativo! Como tudo no Karatê, é suado, doloroso e atemporal.
Eu gosto de citar referências bibliográficas para fundamentar o que escrevo, portanto a sequência a seguir, está contida no livro “O verdadeiro caminho do Karatê”, escrito por Tognin, Gotuzzo A. C., e ordena de forma lógica as variantes de treinamento do Kihon Kumitê da seguinte forma:

  1. Gohon Kumitê = combate sobre cinco passos;
  2. Sambom Kimitê = combate sobre três passos;
  3. Ippon Kumitê = combate sobre um passo.

Ao meu ver essa ordem segue a seguinte lógica, conforme se aumenta o nível de repetição e treinamento, diminui-se os passos de cada prática, e no Ippon Kumitê o praticante, encontra-se, mais bem preparado para um combate mais rápido de apenas um passo.

Kihon Gohon Kumitê - Video

Kihon Ippon Kumitê - Video


Jiyû Kumitê (Combate Real)

Logo após a parte de Kihon como 4º método, Gotuzzo, cita o Jiyû Ippon Kumitê, denominando este como combate real sobre um passo.

Segundo Sensei Kanazawa, em sua obra, o “Guia Prático do Karatê”, cita o seguinte objetivo desse método de combate:
“Ao praticar Jiyû Ippon Kumitê, o atacante tenta encurtar a distância entre ele e seu adversário, enquanto procura oportunidade de lançar um ataque. O defensor pode se movimentar estrategicamente de forma a tentar impedir o atacante de se aproximar à uma distância de ataque fácil, mas não pode fugir das abordagens do atacante.” Nakayama cita o seguinte: “Depois de ter anunciado a àrea geral do seu alvo um dos parceiros ataca subitamente e com muito vigor. O outro parceiro bloqueia e contra-ataca”.”Ambos tem de estar bem treinados e altamente habilitados, pois esta deverá parecer uma disputa real. Nenhum deles deve achar que tem uma segunda chance; o primeiro ataque, ou bloqueio, é decisivo.”

Resumo...Se trata de combater de forma dinâmica, com aplicações contundentes que objetivam o nocaute em um único golpe ou aplicação. Para o ataque, se resume, em equilibrar a distância, velocidade, força e precisão de aplicação, enquanto para o defensor, se trata de distância , tempo, reflexo, e o contra-ataque quando possível, em seu modo mais efetivo possível.

Jiyû Ippon Kumite - Video


Jiyû Kumitê (Combate real - livre)

Nesta prática, tanto Nakayama quanto Kanazawa, citam seu conceitos de forma parecidas. Suas definições citam que nesse nível de treinamento os praticantes apresentam toda a sua maturidade técnica equilibrando força, distância, velocidade, estratégia, nas aplicações de golpes e bloqueios de forma dinâmica e livre. Mas o que ambos citam como fator que determina de fato o alto nível técnico desse combate segue com os dizeres de Kanazawa sensei: “É essencial, no entanto, que cada soco, ataque e chute sejam controlados, parando um único sun (cerca de 3 centímetros), antes de fazer contato com o alvo (uma prática chamada sun-dome, que significa “parar um sun [antes do contato]”). Enquanto sun-dome é um componente indispensável do Jiyû kumitê, o objetivo não é apenas relaxar antes de fazer contato, mas sim desferir golpes com força e espírito de modo que seu poder explosivo culmine diretamente em frente ao alvo.”


Jiyû Kumitê - Video


E o mais recente formato de combate acoplado ao karatê, se define como Shiai Kumitê. Esse, por sua vez, é voltado ao karatê como esporte, ou seja, combate com objetivo de pontuação. Esse formato segue regras adotadas pelas federações que regulam o Karatê esportivo, sendo a mais conhecida, WKF (World Karate Federation). O que em minha opinião define a pontuação do shiai, seria a velocidade em que os oponentes precisam desenvolver para buscar mais pontos, e se possível o primeiro ponto. Como podemos observar nos formatos de kumitê anteriores para o Shiai, vejo que nos demais, busca-se o desenvolvimento de técnicas, controle, espírito de combate, mente, e o equilíbrio desses fatores para uma técnica altamente fatal e efetiva, onde no shiai existem também estes fatores porém focando numa técnica, menos fatal,  onde o foco é velocidade e precisão.

Shiai Kumitê - Video


Esse tema foi estrategicamente deixado por último, devido os seus conceitos serem muito bem definidos sequencialmente, porém necessitando de uma explanação um pouco mais abrangente, haja visto que não vemos atualmente um conteúdo publicado que deixe explícito tais conceitos como colocados aqui.

Espero que esse conteúdo sirva de norte para treinamentos e revisão dos conceitos de prática do karatê nos dias atuais.

Bons estudos e bons treinamentos, Nação Karateca! Osu.


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WORKSHOP HAYASHI HA

Boa noite nação Karateca! Fugindo um pouco da série que lancei sobre os 3 pilares de aprendizado do karatê, hoje vou resumir um pouco do que vi, pratiquei e ouvi no Workshop Hayashi que aconteceu em Jaboticabal nos dias 27 e 28 de Janeiro de 2018.

Bom, da região onde resido até a cidade de Jaboticabal percorri aproximadamente 260 kms. Como atualmente não vivo apenas do Karatê, como muitos praticantes e amantes que conheço, consegui um dia de folga, onde utilizei para me locomover até a cidade, uma jornada de umas 6 horas e meia em média. Enfim cheguei! Pesquisando vi que o local do evento não se distanciava tanto de onde permaneceria nesses dias, uma caminhada de uns 20 minutos. O que me facilitou a chegada ao local do evento a pé mesmo.

A programação obedeceu bem os horários publicados. Ás 08:30, ocorreu a recepção dos participantes, um café por volta de 09:00 horas, e logo em seguida uma abertura feita pela Sensei Simone Yonamine e Sensei Paulo Mota, seguido da apresentação das irmãs Yonamine, Yuka e Cintia. Logo foi apresentado também Nicole Yonamine Mota, e o primeiro palestrante representante do estilo Shotokan, Marco Aurélio de Sá.


Iniciando as atividades, Sensei Marco Aurélio explica um pouco da importância da utilização da musculatura na execução dos movimentos explosivos em um kata, o trabalho mental do praticante e competidor nesse âmbito de ter uma movimentação com explosão, de modo que os músculos bem acionados, devem explodir de um ponto 0 inerte, ao ponto 100, onde ocorre o kimê do karateca, a velocidade e a combinação da boa forma. Tudo conjugado com um trabalho bem feito de treinamento de base e movimentação com velocidade. Junto com as explicações, o sensei segue com uma sequência de Kihons que trabalham a ativação da musculatura dos membros inferiores, e melhora na velocidade em deslocamentos para direções diferentes. Apesar da ampla explanação e boas dicas de treinamentos voltados a pratica do kata para competições, o Kata de explicação programado Gankaku, teve menos tempo para sua total conclusão. Sendo este passado brevemente, acredito que o que possa também ter contribuído para essa breve explicação, foi o fato de ter muito poucos praticantes do estilo Shotokan, sendo na maioria dos participantes Goju-ryu e Shito-ryu. Meio que exprimido ao tempo que lhe foi proposto, o palestrante finalizou mais algumas de suas explicações, e já avançávamos quase as 13:00 horas. Fazendo uma parada para o almoço e retornando as 14:00 novamente.

Retornando ao próximo ciclo de palestras, logo às 14:00 recebemos no Koto, um dos mais novos campeões do shiai kumitê (esportivo) da seleção brasileira, Ernani Veríssimo. Este inicia com um bom aquecimento físico. Em seguida, começa o treinamento explicando a diferença entre shiai kumitê (esportivo) e jyu kumitê (combate real). No que consiste o objetivo do shiai kumitê, e o que deve ser trabalhado. E procede, com técnicas de entradas de shiai, a ser executados entre dois e dois participantes. Após 2 horas ou 2:30 de treinamento forte. 



Finaliza-se mais essa palestra e enquanto os participantes tem alguns minutos de descanso, sentado aguardando seu momento, está entre os palestrantes Yasunori Yonamine, 10º Dan Goju-ryu, segundo o próprio, viajou mais de 38 vezes em toda sua vida para Okinawa o berço do karatê. Então que um dos participantes, acredito que também seu aluno, solicita orientações quanto as dimensões corretas para ajustar a base. O mesmo ao se levantar e começar a o orientar o jovem, chama a atenção minha e dos demais participantes, e mesmo sem as devidas apresentações, inicia-se a aula de karatê. O mestre Yasunori, em seu 78 anos de idade, compartilha um pouco de suas experiências, em Okinawa, descreve técnicas simples de acerto de dimensões de bases não somente no Gojur-ryu mas também no karatê como um todo. Compartilha um pouco da filosofia que envolve a simplicidade e trabalho duro  do karatê praticado pelos japoneses. Pontua os erros mais comuns praticados pelos atletas e praticantes atuais relacionados a estrutura da base, movimentação, e execução do gyaku tzuki no que diz respeito a ergonomia, ou seja, a prática incorreta do soco de modo que sua prática pode futuramente ocasionar lesões na coluna. Detalhes contidos na prática correta dos fundamentos, mas que demonstram a quantidade de conhecimento que um Sensei de alto nível acumulou através da prática e estudo do Karatê. Fora esses detalhes de posturas, bases, filosofia, conceitos, o palestrante demonstra movimentos rápidos e bases bem compostas, sem contar a demonstração da técnica de um tzuki bem aplicado em um ponto vital. Em minha humilde opinião, acredito ter sido uma das melhores palestras relacionados ao karatê.


No segundo dia, domingo, tivemos o início das palestras como Sensei Paulo Mota, explanando sobre algumas aplicações do karatê Shito-ryu utilizadas no kata ANAN, que logo em seguida teve suas execuções explanadas pela atleta Nicole Yonamine, atualmente atleta da CBK de kata. A mesma inicia com um aquecimento e em seguida inicia a prática de pequenos trechos do kata ANAN. É apresentado um kata e seus movimentos com bastante controle e equilíbrio, e unindo as aplicações práticas palestradas anteriormente pelo Sensei Paulo Mota, executar o kata foi movimento a movimento praticado.

A última palestra seria de kobudo, mas como precisava retornar, não foi possível participar desta. 

Bom, acredito que esse seria resumo do evento e só posso dizer que por mim foi muito bem aproveitado todas as palestras, uma experiência nova que recomeça


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Os 3 Pilares - KIHON

Boa noite, karatecas e leitores desse humilde blog. Hoje, seguindo a explanação dos 3 pilares do Karatê, vou citar alguns pontos relacionados ao Kihon.



Mas o que é Kihon? Vou usar aqui um parágrafo de uma apostila de karatê que tem como autor Sensei José Erasmo de Oliveira Júnior, segundo uma página que encontrei porém de 2012, 3º Dan de Karatê Shotokan:

“As técnicas básicas devem ser treinadas constantemente e de forma sistemática, de modo que estejam perfeitas para sua aplicação em uma situação real”. “Quando praticamos o treinamento específico das técnicas básicas dizemos que praticamos Kihon (fundamentos), poderíamos dizer, em uma tradução livre, como sendo o “treinamento dos fundamentos”.”

Segundo o glossário do “Guia Prático do Karatê”, escrito pelo Sensei Kanazawa, tem-se por Kihon: básico, os fundamentos.

Sabendo que o Kihon, é parte dos 3 pilares de sustentação da prática do karatê, como podemos ligar essa prática aos demais pilares? De forma sucinta, podemos dizer que Kihon, sendo “os fundamentos”, são os primeiros passos para o desenvolvimento de técnicas isoladas, interligadas, paradas, e em movimento. Dito isso, essas técnicas combinadas e em plena concordância, chegamos ao KATA. E se pegar o parágrafo citado acima pelo Sensei Erasmo, temos: “As técnicas básicas devem ser treinadas constantemente e de forma sistemática, de modo que estejam perfeitas para sua aplicação em uma situação real”...O que define o próximo assunto dessa série conhecido como Kumitê. Este por sua vez, tem em algumas formas de prática, muito dos kihon.
Penso também que o kihon, tendo esse significado de fundamentos, tem na sua prática, muito da essência das diferentes escolas (estilos de karatê). E quando me refiro a essa essência das escolas, seriam características técnicas que diferenciam e dão forma aos diferentes estilos existentes. Esses fundamentos estão contidos detalhamento de execução de bases, socos, chutes, colocação dos quadris, entre outros aspectos.
Seguindo a deixa dos aspectos abordados pela prática do kihon, sensei Nakayama, em sua série de livros “O melhor do karatê”, cita os seguintes aspectos básicos de desenvolvimento da técnica:

  • ·         Forma, cita Nakayama, os pré-requisitos da forma correta são o bom equilíbrio, um alto grau de estabilidade e a ordem dos movimentos de cada parte do corpo, uma vez que os movimentos são executados em sucessão rápida num curto período de tempo.
  • ·         Força e velocidade, cita Nakayama , somente a força muscular não permitirá que a pessoa se sobressaia nas artes marciais ou em qualquer esporte correlato. O poder do kimê (finalização) de uma técnica básica de karatê resulta da concentração máxima de força no momento do impacto, e isso, por sua vez, depende em grande parte da velocidade do soco ou chute. Embora a velocidade seja importante, ela não consegue ser eficaz se não houver controle. A velocidade e a força são intensificadas pelo uso da união das forças e reação.
  • ·         Concentração e desconcentração da força, cita Nakayama, a potência máxima é a concentração da força de todas as partes do corpo no alvo, não apenas a força de braços e pernas. Igualmente importante é a eliminação das forças desnecessárias ao se executar uma técnica, o que resultará na aplicação de uma maior potência onde ela for necessária.
  • ·         Fortalecimento da resistência muscular, cita Nakayama, também é desejável o conhecimento de quais músculos são usados em quais técnicas. Como os músculos são usados especificamente, pode-se esperar uma maior eficácia deles. Contrariamente, quanto menos os músculos forem usados desnecessariamente, menor é a perda de energia.
  • ·         Ritmo e regulagem do tempo, cita Nakayama, o desempenho de um karateca mestre não é apenas eficiente, mas também extremamente rítmico e bonito. A aquisição de um senso de ritmo e regulagem do tempo é uma excelente forma de aperfeiçoar-se na arte.
  •         Quadris, cita Nakayama, além de ser uma fonte de potência, os quadris constituem a base de um espírito estável, de uma forma correta e da manutenção de um bom equilíbrio.
  • ·         Respiração, cita Nakayama, a respiração em coordenação com a execução de uma técnica, ou seja, inalar quando bloqueia, exalar quando é executada uma técnica decisiva, e inalar e exalar quando são executadas técnicas sucessivas.

Analisando essa citações de sensei Nakayama, do karatê Shotokan, temos uma visão dos inúmeros aspectos que devemos nos atentar as técnicas em sua forma mais básica, treinamento da respiração (hoje esquecido por muitos dojos), contração muscular e descontração ao se movimentar nas bases e na geração do kimê, rotação de quadris durante a aplicação de técnicas de ataque que auxiliam na velocidade, aumento da explosão, direção correta de aplicação, etc. 




Muitos iniciantes, ao assistir uma aula de karatê mais tradicional e voltada para a melhoria técnica, manutenção da saúde muscular, e fortalecimento se deparam muitas vezes com exercícios repetitivos, aparentemente mais cansativos do que voltados à saúde, e já ouvi dizerem “chato”. Mas após treinarem, ver as dificuldades ao executar corretamente um movimento, na direção correta, com respiração, rotação de quadril, e pra complicar em caminhada nas diferentes bases e diferentes posições, acabam se deparando com um mundo interno de falhas, e orgulhos, que caem com a prática e treinamento constante daquilo que é “simples”, e “igual”, e que ao se deparar com a mesma técnica produzida por um karateca mais experiente, se vê o quanto se pode evoluir fisicamente, mentalmente, e até espiritualmente. Mas esses conceitos de evolução através da pratica dos 3 pilares serão abordados de uma forma mais madura, logo mais, aqui no blog.

Aos iniciantes, ou simpatizantes, que leem sobre o karatê e ainda não praticaram, posso dizer que ler, ver, te dão uma ideia, mas a experiência de se treinar, se observar internamente, ser humilde consigo mesmo, e buscar a melhoria dentro da arte, é uma experiência que vista ao fundo, vai ser levada para toda a vida, em todos os aspectos possíveis, controlar o stress, o cansaço físico, ao controle do ego, a busca pela paz, ao cumprimento de objetivos consigo, e a igualdade humana ao se deparar com as fraquezas que todos temos.

Conforme palavras de Arakaki Sensei em seu livro “ A Jornada Espiritual”: “Um praticante de karate que não se esforça para melhorar os fundamentos e posturas, não usufruirá de golpes eficientes e, até mesmo, será incapaz de fazer corretamente um kata.”

Finalizo deixando meu Osu, e espero, ter deixado aqui, não somente conhecimento, ou esclarecimento, mas sim, perguntas e perguntas.
Compartilhem o texto, curtam a página, sigam o blog para receber os feeds semanais, e comentem, questionem.






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Os 3 Pilares - KATA



Opa, pessoal. Hoje vou explicar brevemente 3 conceitos, sendo que um será mais bem explanado, e os outros dois serão aprofundados em posts separados por questões de complexidade e melhor organização das informações. Enfim...vamos falar mais sobre o KATA e sua prática. 


Os 3 pilares são as colunas que apoiam o aprendizado e ensino do karatê-dô, e são conhecidos pelos termos kata, kihon e kumite. De forma sucinta elenco aqui as definições citadas pela organização JKA (Japan Karatê Association – Brasil):

“A fundação do Karatê é o kihon (técnicas básicas), o kata (formas), e no kumite (luta)”. Sobre estes três repousam todas as técnicas, toda a velocidade, toda a força e todo progresso no karate. Eles são essencialmente “um”, e devem ser estudadas como “Um”: sem as técnicas básicas do kihon, nem pode haver kata nem kumite. Do mesmo modo, separados do kata, kumite é simplesmente movimentos sem pensar, imaturos com o conhecimento que vem da aplicação. Por último, kumite sem kata perde a característica da agilidade e pouco esforço, inerentes a suavidade do Karatê. “Kihon é kata é kumite".
 
Definição do KATA. Gotuzzo Tagnin em seu livro “O Verdadeiro caminho do Karatê” cita o kata como “seguimento de movimentos de karatê codificados, executados na mesma maneira e nas mesmas direções.” É um kihon encadeado em várias direções com vários graus de diferença na dificuldade dos movimentos.

Sensei Kanazawa em seu livro “Guia prático do Karatê”, define com as seguintes palavras: “Um kata é uma série predefinida de técnicas ofensivas e defensivas, que é realizada individualmente contra vários adversários imaginários.” 

Kata GojuKai, Genkaku, por Goshi Yamagushi.




Pode ser que vendo o vídeo acima, a impressão que fica para os iniciantes ou desconhecedores da arte, é que se parece com uma dança com golpes de luta.
Para esse tipo de pensamento ou conceito cito uma explicação retirada do regulamento de competição de karatê WKF (World Karate Federation ), o que de fato deve se entender pela execução do kata.

“Kata não é uma dança ou uma representação teatral. Ele guarda os valores e princípios tradicionais. Deve ser realista no que se refere ao combate e demonstrar concentração, força e potencial de impacto de suas técnicas.”

Um ponto interessante para você que inicia a prática do karatê e muitas vezes não compreende em sua totalidade determinadas passagens e aplicações de um kata, #Fica a Dica, conforme citação de Gotuzzo:

“Muitas vezes certas passagens dos Katas, parecem de pouco efeito se aplicadas num combate real, e que certos bloqueios são lentos. Sabemos que tudo isto pode encher de suspeitas o espírito daquele que inicia. Jamais um kata é entendido a fundo, a não ser por um mestre. O belo está em procurarmos os limites do incompreensível, a razão de nosso progresso, e somente mais tarde vemos que certas evoluções para nós estranhas tem um sentido pré-estabelecido.”

Se analisar a citação em sua forma pura, podemos entender em mais um ponto que karatê, é trabalho, repetição constante, buscar a inteligência marcial para entendimento dos movimentos e combinações técnicas, paciência e muita perseverança. São com o tempo e prática, que serão colhidos os frutos do incansável, doloroso e repetitivo treinamento em busca do conhecimento e técnica aprimorada. Além de tudo, isso é a combinação perfeita de conectar numa só pratica mente, corpo e espírito. A mente é treinada para entender e compreender as sequências e combinações, o corpo treinado para execução correta da técnica e das bases, e o espírito treinado para se manter vazio do que é externo e cheio de garra e coragem para executar um bom combate consigo mesmo.

Mas essa é a parte bonita da prática do kata, temos também alguns pontos que definem a parte técnica e que muitas vezes definem uma boa execução de um kata... Alguns pontos, vou citar partindo das regras WKF, por exemplo, fundamentos de acordo com o estilo praticado. Resumindo, esses fundamentos são os detalhes técnicos de postura, base e execução de movimentos de acordo com as características de cada estilo qualquer que seja Goju, Shotokan, Shito-Ryu, etc.
Mais alguns pontos... Base correta, execução de movimentos, chakugan (olhar fixo, concentrado no oponente), tempo de execução das sequências dos katas, Kime ( impacto na aplicação da técnica ), e segundo citação de sensei Kanazawa, se atentar aos 3 aspectos críticos citado por ele: a contração e o relaxamento muscular, a expansão e contração do corpo e a velocidade com que as técnicas são executadas. O embusem, ou linha de atuação, dita o padrão global de movimentos únicos para cada kata. E mesmo após a finalização do kata, é necessário manter um estado de preparação física e mental, chamado zanshin.

Embusen.


Bom essa foi uma breve, porém quase que completa, explicação sobre o que é o kata, como devemos enxergá-lo na sua prática e qual a expectativa de tempo para se entender um kata, ou seja, a vida inteira. O que importa é saber que mesmo repetindo e repetindo diversas vezes, praticando as mesmas técnicas diversas vezes, vamos manter o aprendizado e conhecer algo novo, ainda que fazendo o mesmo. E melhor, melhorar o que fazemos, executando muito do mesmo.


Portanto paciência e perseverança sempre! OSU!
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